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O problema da Rouanet não é moral

A Folha de S. Paulo continua fazendo um bom serviço ao publicar matérias que discutem a Lei Rouanet. A penúltima delas, se não perdi nenhuma, falava sobre o benefício de Caetano Veloso. A tese é que um artista consagrado, cujo retorno aos patrocinadores é certo, não deveria ser beneficiado com a lei.

Não vejo como discordar. Afinal, a renúncia fiscal a que os patrocinadores têm direito, ao investirem em projetos que foram aprovados pelo Minc, é financiada pelo contribuinte.

Agora, nova matéria, desta vez sobre Gilberto Gil. O ex-ministro obteve direito de captar mais de 400 mil reais para fazer shows e lançar um DVD.

Talvez seja um problema que Gil, que deixou o Minc há pouco mais de um ano, agora se beneficie da lei que ajudou a moldar.

Importa também saber que Flora Gil, sua esposa e empresária, admitiu que não precisa usar a lei para trabalhar. Mas, a própria Flora um argumento difícil de combater: a lei é para todos.

O mesmo disse Juca Ferreira, substituto de Gil: “a lei é para consagrados e não consagrados”.

Há que se mudar a lei, pois. E não, como a Folha quer, criticar os artistas. A pauta tem que ser a necessidade de mudança na legislação, não uma discussão de cunho moral.

Não são os artistas que devem dar o exemplo. É a lei que deve se impor, modificada.

Agosto da Fotografia

Programação de exposições do evento:

Palacete das Artes Rodin Bahia
Expo: À procura de um olhar – Fotógrafos franceses e brasileiros revelam o Brasil:
Jean Manzon . Marcel Gautherot . Pierre Verger . Antoine D’agata . Bruno Barbey . Olivia Gay . Luiz Braga . Mauro Restiffe . Tiago Santana . Claude Lévi-strauss.
Expo: Abundante cidade – Dessemelhante Bahia
Fotógrafo homenageado – Voltaire Fraga
Visitação: 1 a 30 de agosto
Rua da Graça, 292, Graça
tel: 3117-6983

Galeria Acbeu
Expo: Porto da Barra . Marc Dumas
Expo: Luz do interior . Iêda marques
Visitação: 5 a 29 de agosto
Av. Sete de Setembro 1883, Corredor da Vitória
tel: 3444-4411

Galeria Solar Ferrão
Expo: Diário de bolsa-instantâneos do olhar . Vania Toledo
Visitação: 8 de agosto a 13 de setembro
Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho
tel: 3117-6147

Museu da Santa Casa de Misericórdia da Bahia
Expo: A construção de uma memória . Sérgio Benutti
Visitação: 9 de agosto a 11 de outubro
Rua da Misericórdia, 6, Centro Histórico
tel: 3322-7355

Clique

Publicamos abaixo algumas fotos que não saíram na versão impressa do Caderno Dez! dessa semana. São dos três jovens convidados a participarem da matéria de capa.

Alex Oliveira, 22, é aluno da Faculdade de Comunicação da Ufba. Acaba de cursar a disciplina de fotografia e pensa vê nela a possibilidade de um desenvolvimento profissional.

Janelas

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Cátia dos Anjos, 17, participa da oficina de fotografia da Oi Kabum! há um semestre. Ficou surpresa com o resultado do seu ensaio. “Saiu melhor do que eu imaginava”, disse.

Outro Foco

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Lucas Modesto, 21, estuda na Escola de Belas Artes da Ufba e acaba de fazer a disciplina semestral de fotografia. Considera trabalhar artisticamente com fotografia.

Frações de Segundo

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Vou esperar pela adaptação dos SOS Comandos*

Não só soldados: ninjas, marinheiros, para-quedistas e até monstros figuravam entre os Joes e os Cobra

Múltipla diferença: não só soldados, mas ninjas, marinheiros, para-quedistas, pilotos e até monstros estavam entre os Joes e os Cobra

Como brinquedo, eles vieram em 1982, e até o fim da década foram uma febre. Vendidos em qualquer supermercado, os Comandos em Ação – GI Joe continuaram sendo fabricados até o anos 2000, mas com clara perda de popularidade.

Vai continuar assim, se depender de GI Joe: Rise of Cobra, agora nos cinemas.

O esquema é o mesmo de 9 entre 10 séries de ação/ficção: a única pretensão do filme é apresentar personagens e universo, mostrar que os Joes são inimigos dos Cobra e deixar claro que continuações virão.

Mas nem divertido o filme consegue ser. Há cenas velozes, mas nada que já não vimos. Toda a aposta é nos efeitos especiais (há momentos em que o filme é puro Star Wars em suas batalhas de nave).

As cenas sentimentais entre os casais pré-prontos fazem fechar os olhos (atuações nível Cigano Igor/Cláudio Heinrich).

Mas o pior mesmo é que, ao apostar em um futurismo batido que expulsa qualquer marca própria do filme. Os GI Joe, em sua infinidade de personagens, eram atraentas justamente porque cada um deles tinha uma aparência própria, que permitia ao expectador do desenho, a quem brincava com os bonecos e (imagino, já que não li) ao leitor das HQs, imaginar vida e personalidade próprias.

Enfim, o conjunto multimídia que é GI Joe tem um território imenso e pronto a ser explorado. Não era preciso muito esforço para adaptar isso para as telas. Não precisava ser um filme tão ruim.

*SOS Comandos era uma série de bonecos concorrente. Se você não alcançou a referência, veja aqui e aqui.

Juventude sitiada

O toque de recolher, medida utilizada por autoridades para impedir a circulação de pessoas em locais públicos, já foi usado durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha nazista quis impedir o ir e vir de judeus nas ruas. Foi adotado, também, recentemente, quando o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, decidiu evitar os protestos noturnos da oposição em Tegucigalpa, capital daquele país.

Hoje, aqui no Brasil, não existe alerta ou qualquer sinal sonoro para indicar perigo, ameaças de bombardeio ou indício de insegurança. Apenas os faróis acessos dos carros da ronda, que circulam em algumas cidades do interior, atestam que é chegado o momento de obedecer. Nas localidades onde o toque foi implantado, a hora exata de deixar as ruas e seguir para o aconchego do lar é determinada pelas autoridades locais.

Comissários de menores em ação na cidade de Santo Estêvão-BA

Jovens escutam os comissários, em ação na cidade de Santo Estêvão, na Bahia

 

Na capital, a decisão não convenceu. Para especialistas, o toque não teria sucesso em uma grande cidade. Para a turma que motivou a regra, não seria fácil obedecê-la. Emmanuelle Gouveia Oliveira, 16, mora em Salvador e acredita que a medida não funcionaria na capital. “Acho a medida muito radical. A violência do tráfico, por exemplo, não acontece apenas porque os jovens saem à noite”, diz. Para ela, investir em educação, ao invés de apoiar medidas punitivas, seria a melhor solução.

A soteropolitana Ises Layane Oliveira Cabral, 15, não descarta a possibilidade de respeitar a decisão da justiça, mas também discorda da eficiência dela, caso fosse aplicada. “Para mim não ia fazer diferença, porque eu saio muito pouco. Mas acho, sinceramente, que aqui ninguém vai querer respeitar”, diz.

O juíz José Brandão Neto, responsável por instituir a portaria que determinada a validade do toque de recolher na Bahia, vigente desde o dia 15 de junho, acredita que a medida trata-se de um “toque de acolher ”. Para os que discordam, o nome justifica o ato. “É toque de recolher mesmo. Chamar de toque de acolher é querer falsear. Acolher gera prazer. Procure saber do jovem se ele tem prazer em ser apreendido”, opina Waldemar Oliveira, coordenador executivo do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan, o Cedeca.

Com a mesma opinião, Edmundo Kroger, presidente do Fórum da Criança e do Adolescente,  não acredita que o toque seja a melhor decisão para diminuir a criminalidade ou o consumo de drogas, como pretende o autor da medida. “ O jovem precisa sair, ele não pode ficar condenado a ficar em casa vendo televisão, vendo Malhação. E a rua como espaço de aprendizado?”, questiona.

Apesar das regra, não é difícil driblar o toque de recolher. Mayume Ida, 16, da cidade de Ilha Solteira, em São Paulo, conta que lá, nem todos deixam de sair de casa por conta da decisão judicial. “Creio que a maioria não obedece, pelo menos a maioria dos menores que conheço”, conta. Ela diz, também, que existe maneiras de sair de casa depois do horário permitido, sem ser localizada pelos comissários de menores. “O que mudou foram os locais que os jovens frequentam. Ao invés de ficarem em lugares públicos, ficamos em locais mais reservados, como casa de amigos ou locais privados. Assim, a chance de sermos encontrados diminui muito, pois a fiscalização se concentra no centro da cidade”, explica.

Thiago Terasen, 17, mora na cidade de Itu, tamém em São Paulo. Por lá, o toque de recolher ainda não foi adotado mas, na opinião dele, seria uma boa medida para “baixar os altos índices de criminalidade” no local. “O consumo de bebidas alcoólicas e drogas é muito alto entre os adolescentes. Com certeza, o toque iria acabar com isso”, defende. Ele também acredita que a medida não funcionaria nas capitais. “Em São Paulo, não convém utilizar o toque, por ser uma cidade muito grande. No Rio de Janeiro também não, por ser uma cidade muito quente e ter uma grande vida noturna. Nesses lugares, poderiam ser aderidas novas leis para reduçao da criminalidade, consumo de alcool e drogas”, conta.
Em Salvador, a diretora adjunta da Fundação Estadual da Criança e do Adolescente [Fundac], Roberta Sampaio, é contra o toque e lembra do direito de ir e vir de qualquer cidadão, determinado pelo artigo 5º, inciso XV, da Constituição Federal. Para ela, a saída para a redução da violência é o acesso a educação de qualidade, além de uma boa estrutura familiar.”Recolher não é condição essencial para resolver o problema”, conta. E desabafa: “Ato infracional é que é crime, não a saída de casa. Imagine ter polícia na rua atrás de adolescente que não fez nada? É um retrocesso político isso”.

[içara bahia]

na parede do meu sonho

Na esquina da Houston Street and the Bowery, em Nova Iorque, surgiu uma passagem nova. Mas os tijolinhos de pedra não são fechadura encriptada para um bairro secreto, a la Beco Diagonal – mostram bem vivos os pedaços que criam uma casa com alicerce de água, bicicletas e trens que correm acima dos telhados, e uma menina grudada numa baleia de pano no chão do mar. O amarelo-velho, que toma casas, árvores e pele humana são marca do trabalho dos irmãos Otávio e Augusto Pandolfo, grafiteiros paulistas mais conhecidos como Osgemeos, autores do mural em Nova Iorque.
Achei a obra ao acaso, atraída pelas palavras de admiração da articulista do New York Times que achou que ela valia um artigo. A crítica se dividia entre procurar uma narrativa no mosaico surrealista, e adivinhar algo de brasilidade nos personagens espalhados na pintura. Pesquisei e descobri que os irmãos de 32 anos saíram das paredes de Cambuci, bairro da capital paulista, e já percorreram galerias de todo o mundo com a arte do spray e do stencil.
Nos quadros dos gêmeos univitelinos, que eram ambos contínuos em diferentes agências do Bradesco antes de grafitar nos anos 90, os personagens têm traços quase de quadrinho. O amarelo me faz pensar numa Springfield com roupa de Coraline. Não à toa, crianças são os principais temas da dupla. Peixes também são marca constante,  plantados onde menos se espera, quase sempre bem à vontades na secura do ar.
Hoje suas latas pintam em telas e eles fazem altas cifras em galerias ao redor do mundo, mas o que vem ao caso mesmo é quanto seria legal topar com um mural de street art desses por aí em Salvador. Vão aí inspirações:

Na esquina da Houston Street and the Bowery, em Nova Iorque, surgiu uma passagem nova. Mas os tijolinhos de pedra não são fechadura encriptada para um bairro secreto, a la Beco Diagonal – mostram bem vivos os pedaços que criam uma casa com alicerce de água, bicicletas e trens que correm acima dos telhados, e uma menina grudada numa baleia de pano no chão do mar. O amarelo-velho, que toma casas, árvores e pele humana são marca do trabalho dos irmãos Otávio e Augusto Pandolfo, grafiteiros paulistas mais conhecidos como Osgemeos, autores do mural em Nova Iorque.

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Achei a obra ao acaso, atraída pelas palavras de admiração da articulista do New York Times que achou que ela valia um artigo. A crítica se dividia entre procurar uma narrativa no mosaico surrealista, e adivinhar algo de brasilidade nos personagens espalhados na pintura. Pesquisei e descobri que os irmãos de 32 anos saíram das paredes de Cambuci, bairro da capital paulista, e já fizeram o mundo com a arte do spray e do stencil.

Nos quadros dos gêmeos univitelinos, que eram ambos contínuos em diferentes agências do banco Bradesco antes de grafitar nos anos 90, os personagens têm traços quase de quadrinho. O amarelo faz pensar numa Springfield com roupa de Coraline. Não à toa, crianças são os principais temas da dupla. Peixes também são marca constante,  plantados onde menos se espera, quase sempre bem à vontade na secura do ar.

Hoje suas latas pintam em telas com ajuda de pincéis e eles fazem altas cifras em galerias ao redor do mundo, mas o que vem ao caso mesmo é quanto seria legal topar com um painel de street art desses por aí em Salvador.  Ou morar num mural deles. Vão aí inspirações:

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Debate 3

Último post da série.

Vocês acham que a política está próxima à juventude?

ELISSAMA: Acho que não. Falando do governo, acho que ela tem que estar longe da juventude, porque só assim será capaz de fazer o que mais sabe: alienar. Imagino que essa seja a vontade dos políticos. Quanto menos você sabe, menos questiona.NESTOR: É a formação do indivíduo que é a questão. O cara nasce, é jogado na escola, é achatado. O novo Enem é legal? É, mas para chegar nele antes tem que ter uma educação de excelência. São nossas atitudes que vão dizer se estamos próximos da política. A educação é capaz de aproximar a boa política.
Todos percebemos que podemos contribuir para uma sociedade melhor. E essa sociedade é no futuro? Não, é agora!
JANAÍNA: Para mim, pensando por um lógica geracionista, a geração que mais se aproxima da política é a juventude sim. Aí podemos falar em revoltas, ações, manifestações. É um número grande. A Revolta do Busu, por exemplo, me marcou muito e é importante para pensar nessa força.
TIAGO: Acredito que no passado a participação do jovem era maior sim. Hoje quem faz política não quer nem saber mais de partido, isso porque os partidos pecaram mesmo, muitos têm uma história complicada. Acho que a participação hoje em dia não só é menor como também reconfigurada.
JOÃO GABRIEL: É nostálgico demais pensar que no passado a juventude era mais politizada. O movimento estudantil na época da ditadura não era hegemônico, apenas é visto, hoje, quase como ideal de ação. Os jovens fazem política sim, mas de outras formas. Pensando a política como ações, um comportamento político, ela está próxima de todos.
Não existe o mau e o bom, quem é de partido e quem é de movimentos sociais a partidários. São só formas diferentes de atuação. E isso não está deslocado da disputa. A prática pessoal vai para além do partido, mas tem tudo a ver com ele quando se escolhe um.
PEDRO: Falamos de política filiada e não filiada a partidos como opostos, mas não acho que elas são conflitantes. Tem que ter lugar para as duas formas de fazer político.
No movimento estudantil, por exemplo, eu não acho que devia ter partido envolvido. Uma pessoa lá dentro ter um partido é uma coisa, mas todo um grupo ser filiado é complicado.
LUCAS: Com certeza a política está próxima dos jovens atualmente. Vejo isso no meu próprio colégio, onde nós, alunos, entramos numa reivindicação que era de funcionários e acabamos envolvendo o grêmio também.
Eu sempre disse que não queria saber de política, mas percebi que para fazer a mudança que considero necessária eu ia ter que me envolver. Mas discordo da ligação partidária dos grêmios, faz com que percam a identidade.

rainha

REDQUEEN

Outra da beleza de Tim Burton para começar o dia.