A Folha de S. Paulo continua fazendo um bom serviço ao publicar matérias que discutem a Lei Rouanet. A penúltima delas, se não perdi nenhuma, falava sobre o benefício de Caetano Veloso. A tese é que um artista consagrado, cujo retorno aos patrocinadores é certo, não deveria ser beneficiado com a lei.
Não vejo como discordar. Afinal, a renúncia fiscal a que os patrocinadores têm direito, ao investirem em projetos que foram aprovados pelo Minc, é financiada pelo contribuinte.
Agora, nova matéria, desta vez sobre Gilberto Gil. O ex-ministro obteve direito de captar mais de 400 mil reais para fazer shows e lançar um DVD.
Talvez seja um problema que Gil, que deixou o Minc há pouco mais de um ano, agora se beneficie da lei que ajudou a moldar.
Importa também saber que Flora Gil, sua esposa e empresária, admitiu que não precisa usar a lei para trabalhar. Mas, a própria Flora um argumento difícil de combater: a lei é para todos.
O mesmo disse Juca Ferreira, substituto de Gil: “a lei é para consagrados e não consagrados”.
Há que se mudar a lei, pois. E não, como a Folha quer, criticar os artistas. A pauta tem que ser a necessidade de mudança na legislação, não uma discussão de cunho moral.
Não são os artistas que devem dar o exemplo. É a lei que deve se impor, modificada.

Nesse particular, a questão torna-se econômica. Caetano, Gil, Ivete Sangalo, Cirque du Soleil são empresas e empresas estão sempre à cata de isenção de impostos e redução de custos, de maneira a otimizar seus processos e maximizar os lucros. Só isso.
daí estamos falando de empresários e não artistas. A lei é pra beneficiar artistas, não empresas que desenvolvem produtos comerciais.
Gil, quando esteve à frente do Ministério, nada fez para alterar a Lei. Motivo óbvio: não se pode colocar galinha para tomar conta de baratório.
A pergunta que cabe ao seu comentário é: como diferenciar quem realmente precisa ou não da lei para viabilizar seus projetos? só uma distinção clara poderia fundamentar uma mudança na lei. Por isso discordo de sua argumentação. A questão é moral sim! e melhor que tenhamos um amadurecimento ético do que precisar que nossas leis, tão desacreditadas, tenham que lesgilar sobre tudo! e continuarem a ser desrespeitadas. Acho um absurdo que artistas que não precisam se beneficiem de isenção fiscal. Faciliatm suas produções e sufocam outras tantas que não tem o apelo de venda publicitariam que eles tem.
vale ressaltar que o principal argumento da lei é criar uma cultura de patrocínio para que, idealmente, não precisemos de isenção. é meio utópico, mas é! e como vamos criar essa tal cultura se até quem não precisa recorre ao incentivo fiscal? e me desculpe meu caro, mas todo embate é moral!
ESSA LEI TEM QUE SER MODIFICADA COM URGÊNCIA, POIS, ARTISTAS QUE Ñ PRECISAM SER BENEFÍCIADOS, TODOS SABEM QUEM SÃO ELES, ESTÃO CADA VEZ MAIS RICOS E ONDE REALMENTE A LEI DEVE CHEGAR INFELIZMENTE Ñ É BENEFICIADA.
Acho que mesmo que a lei permita os artistas podem ser criticados, por agirem de maneira antiética, utilizando-se dos equívocos da lei. Esse ponto pra mim não tem discussão.
O que eu acho discutível é apenas saber se de fato é desnecessária a aplicação da lei para artistas consagrados. Considerando que, com a isenção, os ingressos ficam mais baratos, não seria uma forma de dar a chance a quem tem menos condições financeiras de ver artistas consagrados? Ou essa galera deve ficar restrita a shows de artistas iniciantes ou de pouco apelo?
Acabou o Dez!?